Obra · Atlas NEXO
Original: Wages Against Housework
O panfleto fundador da campanha Wages for Housework: a declaração teórica de que o trabalho doméstico das mulheres é trabalho, e que exigir salário por ele é um ato revolucionário.
Contexto histórico
O texto foi escrito no calor da campanha internacional Wages for Housework, cofundada por Federici, Mariarosa Dalla Costa e Selma James. A campanha surgiu dos debates do marxismo operaísta italiano e se espalhou por coletivos feministas em dezenas de países ao longo dos anos 1970. O panfleto circulou em mimeógrafo e foi amplamente reproduzido em cursos, coletivos e publicações feministas no mundo inteiro. Hoje é amplamente disponível em inglês como documento de acesso aberto e integra a coletânea 'O Ponto Zero da Revolução' (Elefante, 2019) em português.
Argumentos centrais
Publicado em Bristol, em 1975, pelo Power of Women Collective e pelo Falling Wall Press, este panfleto de menos de vinte páginas é um dos documentos mais influentes do feminismo do século XX. A tese é simples e radical: quando dizemos que as mulheres 'amam' cozinhar, limpar e cuidar, estamos repetindo o que o capital quer que digamos.
O amor, aqui, não é um dado natural. É o mecanismo pelo qual o capitalismo faz mulheres trabalharem de graça. Federici recusa a sentimentalização do trabalho doméstico e exige que ele seja nomeado pelo que é: trabalho. Trabalho que sustenta toda a economia de mercado, que reproduz a força de trabalho, que forma as próximas gerações de trabalhadores, e que não recebe salário precisamente porque precisa aparecer como amor.
Exigir salário por esse trabalho não é uma demanda reformista. É um ato de desmascaramento. É recusar que a exploração seja confundida com afeto.
Conceitos relacionados
Por que importa hoje
Embora brevíssimo, o texto realiza algo raro: transforma uma reivindicação aparentemente reformista em crítica radical ao capitalismo. Para a educação ambiental, o argumento tem paralelo exato com a questão ecológica: da mesma forma que o capital trata o trabalho doméstico como gratuito e natural, trata a natureza como gratuita e inesgotável. Tornar visível o trabalho reprodutivo e tornar visível o metabolismo natural são o mesmo gesto político. Por isso, Federici é leitura obrigatória para quem trabalha com ecologia política e feminismo.
Obras relacionadas no Atlas
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Situação jurídica do acesso
Acesso aberto
Texto original em inglês de acesso aberto (Power of Women Collective / Falling Wall Press, 1975). Amplamente disponível em inglês na internet como documento histórico. Sem edição brasileira autônoma: o texto integra 'O Ponto Zero da Revolução' (Elefante, 2019) em português.