Por que importa
Marx é o ponto de partida obrigatório de toda crítica ao capitalismo, e, cada vez mais, de toda crítica ecológica a ele. Para o professor que trabalha educação ambiental crítica, a importância de Marx é dupla: dele vem o conceito de práxis que estrutura a pedagogia de Freire, e dele vem a chave para entender por que a crise ambiental não é um 'erro' do sistema, mas um produto de sua lógica de acumulação. A redescoberta do Marx ecológico, por Foster e Saito, transformou o autor do século XIX em referência indispensável para pensar a justiça climática, a ruptura metabólica e o decrescimento no século XXI.
Contribuições ao pensamento
O materialismo histórico+
A crítica da economia política e a mais-valia+
O fetichismo da mercadoria+
A ruptura metabólica entre sociedade e natureza+
A práxis: transformar o mundo, não só interpretá-lo+
Obras principais
1867
O Capital: Crítica da Economia Política
A obra máxima de Marx: a anatomia do capitalismo a partir da mercadoria, do valor e da mais-valia.
1848
Manifesto do Partido Comunista
Escrito com Engels às vésperas das revoluções de 1848, o texto fundador do movimento comunista moderno.
1844
Manuscritos Econômico-Filosóficos
Os cadernos de juventude em que Marx formula a teoria do trabalho alienado.
1846
A Ideologia Alemã
A primeira exposição sistemática da concepção materialista da história, escrita com Engels.
Contexto histórico
Marx escreve no centro do século XIX, no auge da Revolução Industrial. À sua volta, a Inglaterra havia se tornado a primeira sociedade plenamente capitalista do mundo: campos cercados, camponeses transformados em operários, cidades fabris crescendo sobre jornadas de catorze horas, trabalho infantil e miséria sistemática. A economia política clássica, Adam Smith, David Ricardo, descrevia esse mundo como ordem natural e harmoniosa. Marx propôs-se a fazer o contrário: mostrar que aquela ordem era histórica, contraditória e transitória. Seu ponto de partida filosófico foi Hegel, de quem herdou a dialética, e Feuerbach, de quem herdou o materialismo. Marx os inverteu e fundiu: as ideias não governam a história; é a forma como os seres humanos produzem sua vida material que molda suas ideias, instituições e conflitos. A essa chave de leitura deu o nome de materialismo histórico. O que faz Marx urgente para o presente é uma camada de sua obra ignorada durante quase um século. Ao analisar a agricultura capitalista, Marx descreveu uma 'ruptura metabólica' (Stoffwechsel) entre sociedade e natureza: o capital esgota a fertilidade do solo e a força do trabalhador na mesma lógica de exploração. Essa intuição ecológica, sepultada pelo produtivismo do socialismo do século XX, foi reencontrada por John Bellamy Foster e Kohei Saito e está no coração do ecossocialismo contemporâneo.
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Influências
Recebidas
Exercidas
Externas
- · G. W. F. Hegel
- · Ludwig Feuerbach
- · Adam Smith
- · David Ricardo
- · Epicuro
- · Saint-Simon
- · Charles Fourier
Biografia
(expandir)
Karl Marx nasceu em Trier, na Renânia, em 1818, em uma família judaica convertida ao protestantismo. Estudou Direito em Bonn e depois Filosofia em Berlim, onde se aproximou dos jovens hegelianos e doutorou-se em 1841 com uma tese sobre Demócrito e Epicuro. Impedido de seguir a carreira acadêmica por suas posições radicais, tornou-se jornalista e editor da Gazeta Renana, logo censurada pelo governo prussiano.
Em 1843 mudou-se para Paris, então capital do socialismo europeu. Ali, em 1844, iniciou a amizade e a colaboração intelectual com Friedrich Engels que duraria quatro décadas e produziria a obra conjunta que fundaria o socialismo científico. Expulso da França e depois da Bélgica, Marx participou da onda revolucionária de 1848, ano em que publicou com Engels o Manifesto do Partido Comunista.
Derrotadas as revoluções de 1848, Marx exilou-se definitivamente em Londres a partir de 1849, onde viveria o resto da vida em condições de extrema dificuldade material, sustentado em grande parte pelo apoio financeiro de Engels. Passou anos na sala de leitura do Museu Britânico estudando economia política, e em 1867 publicou o primeiro volume de O Capital, sua obra máxima. Os volumes II e III ficaram inacabados e foram editados postumamente por Engels.
Foi também militante: liderou a Associação Internacional dos Trabalhadores (a Primeira Internacional), fundada em 1864. Marx morreu em Londres em 1883. Sua leitura recente, a partir dos cadernos de pesquisa do Marx tardio, revelou um pensador cada vez mais voltado às ciências naturais e à crítica da degradação ambiental: dimensão que o ecossocialismo do século XXI colocou no centro.
Para ir além
- MARX, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Livro I, Boitempo, 2013.
- MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista, Boitempo, 1998.
- MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos, Boitempo, 2004.
- MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã, Boitempo, 2007.
- MARX, Karl. Grundrisse, Boitempo, 2011.
- SAITO, Kohei. O Ecossocialismo de Karl Marx [leitura ecológica da obra de Marx], Boitempo, 2017.
- FOSTER, John Bellamy. A Ecologia de Marx [comentário], Civilização Brasileira, 2005.
