Por que importa
Gramsci dá ao professor as ferramentas para entender a escola como campo de disputa, e não como espaço neutro. Seus conceitos de hegemonia, intelectual orgânico e filosofia da práxis estão na raiz da pedagogia crítica de Paulo Freire e do modo como a Educação Ambiental Crítica lê os currículos oficiais: documentos como a BNCC não são técnicos nem neutros, mas terrenos onde se disputam projetos de sociedade. Pensar a formação docente a partir de Gramsci é reconhecer que ensinar é tomar posição na construção do senso comum.
Contribuições ao pensamento
A hegemonia+
O intelectual orgânico+
A filosofia da práxis+
Sociedade civil e guerra de posição+
Educação e formação da consciência+
Contexto histórico
Gramsci escreve a partir de uma derrota. O movimento operário que ele ajudara a organizar foi esmagado pelo fascismo, e a revolução que parecia próxima na Europa do pós-Primeira Guerra não veio. A pergunta que atravessa os 'Cadernos do Cárcere' nasce dessa experiência: por que as massas, mesmo exploradas, aderem à ordem que as explora? A resposta clássica do marxismo apostava na contradição econômica como motor automático da história. Gramsci complica esse esquema. Entre a base econômica e a revolução existe um terreno decisivo, o da cultura, das ideias, do consentimento. As classes dominantes governam menos pela coerção pura do que pela hegemonia, a capacidade de fazer com que sua visão de mundo apareça como senso comum, natural e único possível. Esse deslocamento tem consequência direta para a educação. Se o poder se sustenta no terreno da cultura, então a escola, os intelectuais e a formação da consciência deixam de ser detalhes e passam a ser campo de luta. É por essa porta que Gramsci entra no pensamento pedagógico crítico.
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Influências
Recebidas
Externas
- · Vladimir Lenin
- · Benedetto Croce
- · Antonio Labriola
- · Nicolau Maquiavel
Biografia
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Antonio Gramsci nasceu na Sardenha, em 1891, e estudou na Universidade de Turim, então um dos centros do capitalismo industrial italiano. Militante do Partido Socialista, acompanhou de perto a onda de conselhos de fábrica que tomou Turim entre 1919 e 1920, experiência que marcaria sua reflexão sobre poder e organização operária.
Em 1921, participou da fundação do Partido Comunista Italiano, do qual se tornou principal dirigente. Eleito deputado, foi preso pelo regime de Mussolini em 1926. No tribunal, o promotor pediu que se impedisse aquele cérebro de funcionar por vinte anos. Foi exatamente o contrário que aconteceu: na prisão, doente e sob vigilância, Gramsci produziu os 'Cadernos do Cárcere', cerca de três mil páginas que se tornariam uma das obras mais influentes do marxismo do século XX.
Nos Cadernos, Gramsci deslocou a análise marxista da economia para a cultura e a política. Para compreender por que as classes dominantes se mantêm no poder sem recorrer apenas à força, formulou o conceito de hegemonia: a direção intelectual e moral que se exerce na sociedade civil, nas escolas, nas igrejas, nos jornais. Daí decorrem suas categorias mais conhecidas, do intelectual orgânico ao bloco histórico.
Libertado em 1937 por causa do estado de saúde, morreu poucos dias depois, aos 46 anos. Sua obra só foi publicada após a guerra e converteu-se em referência obrigatória para a teoria política, os estudos culturais e a educação crítica, de Paulo Freire aos debates sobre currículo e formação docente.
Para ir além
- GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere (6 volumes), Civilização Brasileira, 1999.
- GRAMSCI, Antonio. Concepção Dialética da História, Civilização Brasileira, 1995.
- COUTINHO, Carlos Nelson. Gramsci: um estudo sobre seu pensamento político, Civilização Brasileira, 1999.
