Por que importa
Escrevivência virou conceito de uso corrente em escolas e universidades, sobretudo depois da Lei 10.639, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira. Os livros de Evaristo entram na sala de aula como literatura e como ferramenta para discutir raça, gênero e memória a partir da voz de quem viveu. Para o professor, ela oferece um repertório vivo de autoria negra brasileira contemporânea.
Contribuições ao pensamento
Escrevivência+
A mulher negra como protagonista+
A memória como matéria+
A autoria negra como disputa de lugar+
Literatura e oralidade+
Contexto histórico
A literatura brasileira construiu, por muito tempo, uma imagem da população negra escrita de fora: o negro como personagem, objeto do olhar de autores brancos, raramente como autor do próprio relato. Conceição Evaristo se inscreve na linhagem que rompe esse silêncio, ao lado de nomes como Carolina Maria de Jesus, e dá forma literária a um ponto de vista que a tradição mantivera às margens. Sua escrita amadurece num momento de afirmação dos movimentos negros e de políticas de reconhecimento, das décadas de 1980 em diante. A escrevivência conversa com o pensamento de Lélia Gonzalez e com toda uma reivindicação do direito de produzir conhecimento e arte a partir da própria experiência. Não é literatura sobre o povo negro: é literatura desde dentro dele.
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Influências
Recebidas
Externas
- · Carolina Maria de Jesus
- · Guimarães Rosa
- · Toni Morrison
Biografia
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Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em Belo Horizonte, em 1946, em uma favela, filha de uma família pobre e numerosa. Trabalhou como empregada doméstica e formou-se professora antes de mudar-se para o Rio de Janeiro, em 1973. Cursou Letras na UFRJ, fez mestrado em Literatura Brasileira na PUC-Rio e doutorado em Literatura Comparada na UFF. Estreou tardiamente na literatura e hoje é uma das maiores escritoras brasileiras vivas.
Sua obra dá nome a um conceito que se tornou central na literatura afro-brasileira: a escrevivência. Trata-se de uma escrita que nasce da vida, da memória pessoal e coletiva do povo negro, e que recusa a neutralidade. Como ela resume, a escrevivência não serve para ninar os da casa-grande, mas para incomodar. Escrever, aqui, é um ato político de quem foi historicamente narrado pelos outros e agora narra a si mesmo.
Entre seus livros estão os romances 'Ponciá Vicêncio' (2003) e 'Becos da Memória' (2006), e os contos de 'Insubmissas Lágrimas de Mulheres' (2011) e 'Olhos d'Água' (2014), este vencedor do Prêmio Jabuti em 2015. Seus personagens são mulheres negras comuns, e é justamente nessa vida comum que sua literatura encontra densidade histórica.
Professora, pesquisadora e militante, Conceição Evaristo transita entre a criação literária e a reflexão crítica sobre o lugar da autoria negra. Tornou-se referência para uma geração de escritoras e escritores negros e candidatou-se à Academia Brasileira de Letras, convertendo a disputa por uma cadeira em debate público sobre quem ocupa os espaços de prestígio da cultura brasileira.
Para ir além
- EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, Pallas, 2017.
- EVARISTO, Conceição. Olhos d'Água, Pallas, 2016.
- EVARISTO, Conceição. Becos da Memória, Pallas, 2017.
- EVARISTO, Conceição. Insubmissas Lágrimas de Mulheres, Malê, 2016.
- EVARISTO, Conceição. Histórias de Leves Enganos e Parecenças, Malê, 2016.