Escrita que nasce da experiência vivida e da memória do povo negro, e que assume sua posição em vez de fingir neutralidade.
Escrevivência é o conceito criado pela escritora Conceição Evaristo para nomear uma escrita que nasce da experiência vivida e da memória, individual e coletiva, do povo negro. A palavra junta escrever e viver, e recusa a ideia de que a literatura seria um exercício neutro, distante de quem a produz.
A escrevivência inverte uma longa tradição em que a população negra foi escrita de fora, como personagem do olhar alheio. Aqui, quem foi narrado passa a narrar. Como resume Evaristo, essa escrita não serve para ninar os da casa-grande, mas para incomodar. A vida comum das mulheres negras, o trabalho, a favela e a família tornam-se matéria literária com densidade histórica.
Na educação, a escrevivência sustenta práticas de leitura e produção de texto que partem da própria história dos estudantes, e dá base à aplicação da Lei 10.639 nas escolas. Conversa com a amefricanidade de Lélia Gonzalez e com a reivindicação do direito de produzir arte e conhecimento desde a própria experiência.