O processo pelo qual as estruturas econômicas, culturais e ideológicas de uma sociedade se perpetuam de geração em geração, com ou sem a consciência dos sujeitos.
Reprodução social é o conjunto de processos pelos quais uma sociedade perpetua suas condições de existência: não apenas a produção de bens materiais, mas a reprodução das relações sociais, das hierarquias, dos valores e das ideologias que as sustentam. Marx identificou que o capitalismo não produz apenas mercadorias: reproduz as condições que permitem que ele continue existindo, inclusive a divisão entre quem possui os meios de produção e quem só possui sua força de trabalho.
Louis Althusser expandiu o conceito para os Aparelhos Ideológicos de Estado, instituições como a escola, a família, a Igreja e a mídia, que reproduzem a ideologia dominante sem recorrer primariamente à violência. Para Althusser, a escola é o principal aparelho ideológico das sociedades capitalistas maduras: é ela que forma, ao longo de anos de escolarização obrigatória, sujeitos que aceitam como natural a divisão do trabalho, a hierarquia social e as regras do jogo capitalista.
Bourdieu e Passeron aprofundaram a análise ao mostrar como o capital cultural, os saberes, os gostos e as disposições herdadas da família, funciona como vantagem no campo escolar que reproduz as desigualdades de origem com a aparência da meritocracia. A escola trata os desiguais como iguais e, ao fazê-lo, sanciona as diferenças como mérito individual.
O limite dessas teorias, apontado por Saviani, é que elas tendem a produzir paralisia: se a escola apenas reproduz, para que mudar a escola? A PHC aposta que a reprodução não é mecânica nem total, e que o acesso ao saber elaborado pode fornecer ao estudante das classes trabalhadoras os instrumentos para compreender e questionar as condições de sua própria reprodução.