A condição de exclusão das camadas populares dos bens sociais: e o debate sobre se a escola produz ou apenas reproduz essa exclusão.
Marginalidade, na teoria da educação, nomeia a exclusão das camadas populares do acesso aos bens materiais e culturais da sociedade. O debate clássico, mapeado por Dermeval Saviani em 'Escola e Democracia', gira em torno de uma pergunta: a escola é causa ou reflexo da marginalidade?
As teorias não-críticas respondem que a escola pode superar a marginalidade. Na vertente tradicional, o marginal é o ignorante, e a escola o inclui transmitindo conhecimento. Na vertente escolanovista, o marginal é o rejeitado, e a escola o inclui adaptando-se às suas diferenças. Na vertente tecnicista, o marginal é o improdutivo, e a escola o inclui formando competências. Em todas essas leituras, a marginalidade é um problema do indivíduo que a escola tem o poder de resolver.
As teorias crítico-reprodutivistas, como a de Bourdieu e Passeron em 'A Reprodução' ou a de Althusser sobre os Aparelhos Ideológicos de Estado, inverteram a análise: a escola não supera a marginalidade, a reproduz. Ela legitima as desigualdades de origem social convertendo-as em mérito ou fracasso individual. O filho do operário que vai mal na escola aprende que não foi feito para o conhecimento, e a ordem social se reproduz com aparência de justiça.
Saviani reconhece os limites de ambas as leituras. A escola não é onipotente, capaz de resolver sozinha o que é estrutural. Mas também não é completamente impotente, simples correia de transmissão da dominação. Ela é um espaço de contradição, onde a transmissão do saber elaborado pode tanto reproduzir a ordem quanto fornecer instrumentos para questioná-la. É nessa brecha que a Pedagogia Histórico-Crítica aposta.