A inversão pela qual relações sociais entre pessoas aparecem como relações entre coisas. O valor parece natural do objeto.
Verbete por Laís Machado Ribeiro Luz
No capitalismo, o trabalho humano que produz tudo desaparece atrás do preço. As coisas passam a parecer ter valor por si mesmas, como se o valor fosse uma propriedade natural delas, do mesmo modo que o peso ou a cor. Marx chama isso de fetichismo da mercadoria: a inversão pela qual as relações sociais entre os produtores assumem a forma de uma relação entre coisas. O social aparece como coisa. Quando dizemos que o dólar subiu ou que o mercado reagiu, falamos de coisas como se tivessem vontade própria, e esquecemos o trabalho e as relações entre pessoas que estão por baixo.
O fetichismo não é uma ilusão de ótica que se corrige com um argumento, é um efeito real da forma como a produção se organiza. Enquanto o trabalho for privado e só se reconhecer socialmente pela troca no mercado, o valor vai continuar aparecendo como atributo das coisas. Desmontar essa aparência, mostrar que por trás do valor há trabalho humano e relações sociais, é o coração da crítica de Marx e o primeiro passo para desnaturalizar a economia. No NEXO, este verbete conversa com mercadoria, valor e dinheiro.