Uma prática educativa que parte dos saberes e da realidade das classes populares para construir consciência crítica e organização coletiva.
Educação popular não é educação para os pobres. É educação com os pobres, construída a partir de sua visão de mundo, seus saberes e suas lutas. A distinção é central: enquanto a educação compensatória leva ao povo um saber que lhe falta, a educação popular reconhece que o povo já sabe, e que seu saber é ponto de partida legítimo, não obstáculo a superar.
Paulo Freire é o principal formulador dessa tradição no Brasil, mas ela tem raízes anteriores nos movimentos de cultura popular dos anos 1950 e 1960, no Movimento de Educação de Base, nas ligas camponesas, nos círculos de cultura do nordeste. O golpe de 1964 interrompeu esse ciclo, exilou seus protagonistas e destruiu boa parte das experiências em curso. A retomada nos anos 1980 coincidiu com a redemocratização e com a força dos movimentos sociais, dos sindicatos à teologia da libertação.
A educação popular não é método: é perspectiva. Pode se expressar em salas de aula formais, em espaços comunitários, em processos de formação sindical, em movimentos como o MST, que mantém escolas próprias e pedagogias específicas. O que a define é o vínculo orgânico com as classes populares e o horizonte da transformação social. Nesse sentido, ela é política antes de ser pedagógica, o que não significa que descuide da teoria: significa que sabe a quem a teoria deve servir.