O campo que estuda como as decisões sobre saúde são moldadas por custos, renda e desigualdade, e por que o mercado, sozinho, falha em cuidar das pessoas.
A Economia da Saúde aplica o instrumental da economia às decisões sobre adoecer e cuidar: como pessoas, serviços e Estado distribuem recursos escassos diante da doença. Seu ponto de partida é que a saúde não é uma mercadoria como as outras. Ela é cercada de incerteza, de informação desigual entre quem cuida e quem é cuidado, e de efeitos que extrapolam o indivíduo e recaem sobre toda a coletividade.
O campo tem três pilares teóricos. Kenneth Arrow mostrou, em 1963, que a incerteza própria da saúde produz falhas de mercado e justifica a intervenção pública. Michael Grossman formulou, em 1972, a ideia de saúde como capital, um estoque que cada pessoa produz e mantém ao longo da vida. E Gary Becker, com Kevin Murphy, propôs a teoria da adição racional, segundo a qual mesmo o consumo de substâncias como o álcool obedeceria a um cálculo entre custo e benefício ao longo do tempo.
O conceito carrega uma disputa. Lido de forma conservadora, ele reduz tudo a escolha individual racional, como se adoecer fosse falta de planejamento. Lido de forma crítica, que é a posição do NEXO, ele revela como a renda, a escolaridade e o território determinam aquilo que aparece como simples escolha. Pesquisas sobre a mortalidade por álcool nos municípios do Paraná mostram justamente isso: o que parece decisão pessoal segue, no mapa, a marca da desigualdade. É aí que a economia da saúde encontra os determinantes sociais da saúde.