As condições sociais, econômicas e territoriais que decidem quem adoece e quem morre, muito antes de qualquer escolha individual.
Determinantes Sociais da Saúde são as circunstâncias em que as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem: renda, escolaridade, moradia, saneamento, acesso a serviços e o território onde tudo isso se organiza. A saúde de uma população se explica menos pela genética ou pelo acaso e mais por essas condições. Onde elas são piores, adoece-se e morre-se mais, de forma sistemática.
A doença não se distribui ao acaso no espaço, e isso pode ser medido. Um estudo sobre a mortalidade por transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool nos municípios do Paraná, conduzido por Maria Antonieta Duarte Archangelo, na Universidade Estadual de Maringá, mostrou que os óbitos formam padrões territoriais, não manchas aleatórias. O Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios, e o de seus vizinhos, puxa a mortalidade para baixo, num efeito que atravessa as fronteiras administrativas. O problema de uma cidade é também o da região ao redor.
A conclusão crítica é direta. Culpar o indivíduo pela própria doença, falar em força de vontade ou em má escolha, esconde a estrutura que produz o adoecimento. Políticas que funcionam são territoriais e enfrentam a desigualdade, em vez de tratar apenas o comportamento de cada um. É por esse ponto que a saúde encontra a justiça: cuidar das pessoas exige mudar as condições em que elas vivem. No NEXO, este verbete conversa com a economia da saúde, o capital de saúde e a justiça socioambiental.