Por que importa
'Ensinando a Transgredir' é hoje leitura recorrente na formação de professores no Brasil, ao lado de Paulo Freire. Hooks dá linguagem para um problema que todo educador conhece: como ensinar sem reproduzir a dominação que se quer combater. Sua pedagogia engajada interessa a quem trabalha com diversidade, gênero e raça na escola, e sua obra sustenta debates sobre representatividade, afeto e justiça que estão no centro da educação contemporânea.
Contribuições ao pensamento
Interseccionalidade antes do nome+
Pedagogia engajada+
A teoria como cura+
Crítica ao feminismo de uma só pauta+
Uma ética do amor+
Contexto histórico
Bell Hooks escreve a partir de uma tensão que marcou os movimentos sociais dos Estados Unidos no século XX. De um lado, o movimento pelos direitos civis e o movimento negro, que combatiam o racismo mas com frequência reproduziam o sexismo. De outro, o movimento feminista, majoritariamente branco e de classe média, que falava em nome de todas as mulheres sem enxergar a experiência das mulheres negras e pobres. É nesse vão que sua obra se constrói. Para Hooks, a mulher negra ocupava uma posição que nenhum dos dois movimentos nomeava por inteiro. Não bastava somar racismo e sexismo: era preciso entender como raça, gênero e classe se entrelaçam num único sistema de dominação. Essa recusa de separar as opressões é o fio que percorre toda a sua produção, da teoria feminista à pedagogia, da crítica de cinema aos livros sobre o amor.
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Influências
Recebidas
Externas
- · Sojourner Truth
- · Audre Lorde
- · Malcolm X
- · Thich Nhat Hanh
- · Martin Luther King Jr.
Biografia
(expandir)
Bell Hooks nasceu Gloria Jean Watkins em 1952, em Hopkinsville, Kentucky, no Sul segregado dos Estados Unidos. Cresceu em uma família negra da classe trabalhadora e estudou em escolas públicas segregadas antes de ingressar na Universidade de Stanford. Adotou o nome Bell Hooks em homenagem à bisavó, Bell Blair Hooks. A própria autora costumava grafá-lo em letras minúsculas, para deslocar a atenção de sua pessoa para suas ideias.
Começou a escrever 'E Eu Não Sou Uma Mulher?' aos dezenove anos. Publicado em 1981, o livro denunciou um ponto cego do feminismo da época: a experiência das mulheres negras, atravessada ao mesmo tempo por racismo, sexismo e classe. Hooks mostrou que nenhum movimento de libertação teria êxito se tratasse uma forma de opressão isoladamente. Antecipou, assim, o que mais tarde se chamaria interseccionalidade.
Em 1994 publicou 'Ensinando a Transgredir: A Educação como Prática da Liberdade'. Ali formulou a pedagogia engajada: a sala de aula como espaço vivo onde o poder é negociado, e não um recipiente neutro de conteúdos. O livro conversa diretamente com Paulo Freire, a quem Hooks reconhece como mestre, e propõe uma educação que une teoria e cura, mente e corpo, professor e estudante como sujeitos do ato de conhecer.
Ao longo da vida publicou mais de trinta livros sobre raça, gênero, classe, amor e cultura. Foi professora em Yale, Oberlin e no Berea College, no Kentucky, onde criou o bell hooks Institute. Morreu em 2021, aos 69 anos, deixando uma obra que se tornou leitura central nos estudos feministas, na educação crítica e na crítica cultural.
Para ir além
- HOOKS, bell. Ensinando a Transgredir: A Educação como Prática da Liberdade, WMF Martins Fontes, 2013.
- HOOKS, bell. E Eu Não Sou Uma Mulher?: Mulheres negras e feminismo, Rosa dos Tempos, 2019.
- HOOKS, bell. Tudo sobre o Amor: Novas perspectivas, Elefante, 2021.
- HOOKS, bell. Olhares Negros: Raça e representação, Elefante, 2019.
- HOOKS, bell. Teaching to Transgress [original em inglês], Routledge, 1994.
- HOOKS, bell. Ain't I a Woman [original em inglês], South End Press, 1981.