A corrente que lê a fé a partir da realidade dos oprimidos: a teologia não como doutrina distante, mas como prática de transformação social.
A Teologia da Libertação nasce na América Latina entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970 como resposta à miséria e à opressão vividas pelo povo do continente. Sua raiz é a fé cristã, lida principalmente a partir do Êxodo, com uma hermenêutica libertadora: a Bíblia é interpretada pela perspectiva dos que foram silenciados na história. Gustavo Gutiérrez, conhecido como o pai da corrente, Leonardo Boff, Jon Sobrino e Juan Luis Segundo são alguns de seus principais formuladores. A teologia deixa de ser feita apenas pelos altos cleros e passa a nascer da consciência dos pobres sobre a própria condição.
Mais do que reflexão doutrinária, é uma práxis: fé que se faz ação histórica e denuncia as estruturas de dominação. Por isso gera conflito, com as teologias para as quais o pobre é tema mas não perspectiva, e com instituições eclesiásticas ligadas às classes dominantes. Marcada pela Conferência de Medellín (1968) e pela reunião de Puebla (1979), a corrente articula a crítica ao capitalismo, o compromisso com os pobres e a fé cristã, usando categorias do materialismo histórico como mediação de análise, sem reduzir o conteúdo teológico à forma marxista.
Diante da crise climática, a Teologia da Libertação reencontra a ecologia. Como sintetiza Boff, o grito do pobre e o grito da Terra são o mesmo grito, porque vêm do mesmo sistema. Esse é o ponto em que ela dialoga com o ecossocialismo e com o ecofeminismo: não há justiça social sem justiça ecológica, e não há libertação real sem reconhecer a voz das mulheres. A teologia feminista, com Ivone Gebara, expõe os limites de uma libertação que cuidou da política e da economia mas deixou de fora os corpos e o cotidiano.