Categoria de Lélia Gonzalez que reconhece a herança africana e indígena na formação das Américas e desloca o eixo da teoria para o continente americano.
Amefricanidade é a categoria criada por Lélia Gonzalez para reconhecer a herança africana e indígena na formação de todo o continente americano. O termo desloca o centro da análise do Atlântico Norte para as Américas e afirma que existe uma experiência comum, marcada pela diáspora africana e pela presença indígena, que atravessa fronteiras nacionais e de língua.
Mais do que uma identidade fixa, amefricanidade é um modo de reposicionar quem tem o direito de produzir teoria. A partir dela, Gonzalez propôs um feminismo afro-latino-americano, capaz de pensar raça, gênero e classe desde a realidade do Sul, e não a partir de categorias importadas. A noção se liga ao pretuguês, a marca africana no português falado no Brasil, relida como criação cultural e não como erro.
Na educação, amefricanidade oferece uma chave para discutir língua, cultura e história brasileiras sem reproduzir o mito da democracia racial. Dialoga com o pensamento de Frantz Fanon e com a escrevivência de Conceição Evaristo.